Era um dia de carnaval, e por ser um carnaval de rua eles sempre fechavam a rua e as crianças da cidade iam lá para andar de bicicleta, e aquele carnaval seria o meu primeiro ano em que eu iria andar com a minha própria bicicleta. E ela também.
Eu e uma colega de escola estávamos andando de bicicleta e quando eu menos percebi estávamos discutindo com ela e mais suas duas primas, coisa de criança. Logo depois que aquele mal entendido passou ela me apresentou aos pais dela como uma amiga que havia conhecido quando estava andando de bicicleta, assim, ela me ofereceu um picolé e me lembro que aceitei morrendo de vergonha, pois até então, nunca, ninguém havia me dado qualquer coisa, nem mesmo um simples picolé. Era de chocolate.
Uma vez eu ouvi que não precisamos estar a todo momento com nosso amigo, pra saber que ele é o seu amigo, mais sim os momentos que você passa com ele. Sabe, independente dos poucos momentos que temos, quando nós conversamos e entendemos umas as outras eu sinto que nada mudou pois quando esses poucos momentos acabam a gente fica esperando pelos próximos, como de preferência que ele aconteça no dia seguinte.
Quando penso nela, na maioria das vezes a noite, lembro de quando nós éramos crianças, no quanto adorávamos andar de bicicleta e eu como sempre a mais medrosa nunca descia um morro, sempre tinha descer da bicicleta e descer o morro a pé, e quando postávamos corrida... que sempre ficava em segundo lugar? Eu.
A primeira vez a gente nunca esquece, como a primeira vez que fui ao shopping e especialmente no cinema, a primeira vez que tomei banho de mar, a primeira amiga, enfim, eu nunca, mais nunca mesmo vou esquecer disso. Sei que pra gente o, “vou na sua casa amanhã!” vai ficar cada vez mais difícil. Mas eu nunca vou esquecer da minha pequena e grande amiga que acredita em mim, que se preocupa comigo, que é muito teimosa, que tem um coração enorme, que tem uma família linda e que é linda.
Amigas eternamente. Lembra?
Obrigada por tudo. Eu amo você.